O dia da marmota




Um tal dia, que por alguns motivos queria esquecer, uma amiga me mandou o vídeo de um palestrante que falava do valor da nota de cem reais. Ele a amassou, jogou no chão, pisou a nota e perguntava: Quanto vale essa nota? E as pessoas respondiam: Cem reais. O homem seguiu falando que mesmo quando as pessoas nos machucam, nos colocam de canto, nos ofendem, não deixamos de ter valor. Somos como a nota de cem reais!
Mais cedo, nesse mesmo dia, uma outra amiga dedicou-me um áudio que, tenho certeza, nunca esquecerei, esse foi motivo de refrigério para minha alma. 
Ao anoitecer, meus filhos pediram para ver um filme comigo, e eu, que adoro esse tipo de programa, fui avidamente procurar indicações de filmes para assistir em família.
Em meio a uma lista de vinte e cinco filmes, tinha esse e logo lembrei da minha adolescência. Ah esse é perfeito! Um verdadeiro filme de "sessão da tarde". Feitiço do tempo. Nele um jornalista vive a angústia de ver o dia se repetindo várias vezes. Depois de muitas tentativas de sair daquela "loucura", de tentar explicar o que estava acontecendo, ele até tenta se matar, tudo em vão! Enfim, o homem se rende. Na verdade deixa o tempo seguir seu curso e aprende a aproveitar o que tem de melhor, mesmo sabendo que, ao final do dia, tudo se repetiria. 
Quando acabou coloquei as crianças na cama e lá estava eu pensando e escrevendo...
Não foi fácil, mas qual dia é? Consegui chegar ao fim dele e, apesar de tudo, tive momentos especiais onde pude perceber que tenho amizades raras, elas até parecem adivinhar o que preciso ouvir e quando. Tenho filhos amados que, ainda, querem minha presença, sim eles não chegaram a adolescência. Preciso aproveitar.
Então, talvez eu queira que esse dia se repita, ou melhor, que momentos assim, bons e raros, se repitam.  



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